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Franquias milionárias
Empresas que valorizam arquitetura padrão, ou exigem aporte alto em equipamentos, maquinário e construção, podem levar o franqueado a desembolsar valores superiores a R$ 1 milhão. Isso, no entanto, não impede que as unidades se pulverizem pelo País. Mais comuns no setor de alimentação, negócios dessa faixa de investimento costumam trazer consigo marca forte.
De acordo com diretores das redes de alto investimento, o negócio é procurado primordialmente por ex-executivos de grandes empresas e grupos de sócios. Essas pessoas são atraídas pela possibilidade de alto retorno que acompanha aportes elevados.
A maioria dessas redes rejeita propostas de investidores que não se interessam em participar da operação, assim como daqueles que precisam lançar mão de financiamentos com bancos para reunir todo o montante do investimento. João Augusto Ribeira Penna, diretor de expansão das redes de alimentação Habib"s e Ragazzo, assumiu essa postura diante de problemas enfrentados no passado. "O candidato precisa comprovar que tem o capital", afirma.
Penna é categórico. Nem mesmo após o lançamento do restaurante, os sócios podem utilizar o capital do negócio para abrir financiamentos, como o de um carro. Para garantir que tais regras sejam cumpridas, as redes de comida italiana e árabe têm equipe de auditoria. "Nossos restaurantes costumam dar lucro já no primeiro mês e é justamente a divisão desse capital entre os sócios que dá ânimo para a continuidade do empreendimento. Quando se está atrelado a bancos, esse rendimento fica comprometido ao pagamento de juros", justifica o diretor.
Para adquirir uma unidade de rua do Habib"s e do Ragazzo, é preciso dispor de capital que varia de R$ 1,2 milhão a R$ 1,5 milhão. Já para unidades em shoppings, esse valor é reduzido. Somente o equipamento e o acabamento dos restaurantes, que seguem rigoroso padrão quanto à arquitetura, demandam de R$ 450 mil a R$ 500 mil. O tempo de retorno previsto pelo diretor para ambos os negócios é de 24 a 36 meses.
A meta das redes é que sejam abertas 15 unidades por ano. Penna garante não estar interessado em investidores. Nesse caso, o empresário terá que ter sócio operador que detenha ao menos 51% do empreendimento. Já existem dez Ragazzos, todos em São Paulo, e 290 Habib"s, espalhados por 16 estados e o Distrito Federal. Enquanto a expansão do restaurante italiano está restrita a São Paulo e Curitiba, o Habib"s possui demanda em todas as capitais.
Maria Lúcia Favoni entrou como franqueada da rede Habib"s há oito anos, com o marido que havia deixado o cargo de executivo na Coca-Cola e decidiu abrir um negócio no setor de alimentação. Hoje, ela possui outras duas lojas, todas no Rio de Janeiro. Com média de 45 funcionários, a empresária aponta como desafio do negócio a necessidade de interagir harmoniosamente com pessoas pertencentes a realidade bastante diversa da dela. "Hoje, que a rede está mais desenvolvida e estruturada, há bastante suporte aos franqueados", analisa.
A necessidade de lidar com pessoas diversas também é destacada por Warwick Marcondes Filho, sócio da Gama Forte, empresa proprietária da marca Café Cancun. No caso desse empreendimento, o público diversificado diz respeito aos clientes, que freqüentam a casa tanto para refeições como para entretenimento, a partir das 23h. "O perfil do franqueado do Café Cancun é diferente do que costumamos encontrar no mercado, em função do alto investimento inicial e pela complexidade da operação. A demanda de quem vai ao estabelecimento para o almoço não é a mesma do happy hour, nem do jantar, ou da danceteria", avalia Marcondes.
A rede aceita o ingresso de franqueados investidores, que estejam dispostos a montar equipe para comandar a unidade. Vistorias nos empreendimentos apontam aqueles que seguem com afinco os padrões de qualidade da rede. Eles são recompensados com descontos na taxa de royalties. No momento, a expansão da empresa está direcionada para as Regiões Nordeste e Sul.
Com investimento de R$ 1,4 milhão, Eliseu Freitas abriu uma unidade do Café Cancun em Cuiabá. Ele já tinha duas casas noturnas, mas optou por ingressar na bandeira para ter acesso à estrutura financeira da rede e aos manuais de operação. "É preciso responder com rapidez a concorrentes, como eventos na cidade. Geralmente, não sabemos com muita antecedência da realização de festas, o que impede muitos planejamentos", justifica.
Assim como Marcondes, André Cunha Lima, sócio e diretor de marketing do Joe & Leo"s Burguer, nega propostas de candidatos que apenas tenham o capital para o investimento. Ele procura franqueados que compartilhem os valores da marca e estejam dispostos a ficarem presentes no dia-a-dia da operação. "Muitos que nos procuram estão se aposentando e não querem mais uma vida atribulada", afirma Lima. Nesses casos, ele oferece como opção a candidatos que desejam atuar como investidores, deixarem a operação a cargo da matriz. O foco da expansão se concentra nas regiões Sul e Sudeste.
Antônio Augusto Ribeiro de Souza comprou uma franquia em São Paulo, após repassar suas cinco lojas da rede Mc Donald"s. Ele afirma haver grande dificuldade de adaptação a negócios no segmento de alimentação, pois não há fim de semanas, nem feriados. "É preciso reinventar a empresa, a todo momento, para superar a concorrência."
Fonte: Redação Terra.