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Cientista beninense obtém patente por descoberta de medicamento
O médico e bioquímico beninense, Medegan Fagla Jerome, acaba de se tornar no primeiro africano a patentear um medicamento, depois de respeitados todos os procedimentos científicos estabelecidos.
Trata-se de uma molécula eficaz no tratamento da drepanocytose (ou anemia de células falciforme) e que consagra vinte e cinco anos de laboriosa pesquisa. O medicamento recebeu o nome de VK 500, uma homenagem do cientista à sua mulher, uma conceituada médica ligada à luta contra o VIH/Sida, Valentine Kiki.
Durante três anos, laboratórios farmacêuticos ocidentais estudaram as propriedades do medicamento e todos estiveram de acordo quanto à eficácia da nova droga, aceite como a mais avançada arma no tratamento e prevenção das investidas da doença. Em conseqüência, o Instituto Francês da Propriedade Industrial decidiu registrar a patente, consagrando em definitivo o mérito do investigador africano.
O feito de Medegan Fagla Jerome provocou um ambiente de viva euforia no seu país e não só, tendo o Governo de Cotonou decidido condecorar o cientista com uma das mais altas distinções de Estado do Benin, acto que deverá ocorrer em breve.
O professor Medegan Fagla Jerome, que se encontra em Luanda a convite da associação angolana criada há poucos dias para lutar contra a drepanocytose, pediu ontem que os governos africanos ajudem a aliviar o sofrimento dos milhões de seres humanos afetados pela doença, agora que a ciência dispõe de uma arma eficaz e poderosa.
Numa conferência de imprensa na capital angolana, o cientista beninense mostrou-se disposto a trabalhar com todos os profissionais da saúde africanos e a disseminar laboratórios de produção do VK 500 pelo continente, de modo a tornar o medicamento acessível a todas as bolsas.
A drepanocytose é uma doença hereditária que afeta um de cada seis mil recém-nascidos. Caracteriza-se pela alteração da hemoglobina, proteína que transporta o oxigênio através do sangue.
Os sintomas da drepanocytose são fortes dores nas articulações e abdômen, febres, uma anemia crônica e mau funcionamento do baço. Por ano, duzentos mil africanos morrem em conseqüência da doença.
Fonte: AngolaPress.